Nomeação de sobrinho da prefeita de Saquarema reacende debate sobre apadrinhamento político na cidade
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Saquarema (RJ) – Uma nova polêmica política envolve a administração municipal de Saquarema e levanta questionamentos sobre práticas de favorecimento e possíveis conflitos de interesse dentro da gestão da prefeita Lucimar Vidal. Documentos oficiais apontam que Kaio Mello da Costa Coutinho, conhecido como Kaio Mellinho nas redes sociais e sobrinho da prefeita, ocupa um cargo comissionado na Câmara Municipal, com salário de R$ 4 mil, enquanto estuda medicina veterinária em tempo integral com o auxílio de uma bolsa universitária de R$ 1.600 financiada pela própria Prefeitura.
A nomeação de Kaio consta no Diário Oficial do Município e em registros no portal de transparência da administração pública, o que confirma seu vínculo funcional com a Câmara. Paralelamente, ele é contemplado pelo programa “Conexão Universitária”, criado para apoiar financeiramente alunos do município em instituições de ensino superior. O valor da bolsa é depositado diretamente na conta bancária dos beneficiários, conforme apurado pela reportagem.
A questão que provoca incômodo entre parte da população é a possível incompatibilidade entre o exercício de um cargo público com jornada presencial e um curso universitário de tempo integral. Além disso, o parentesco direto com a chefe do Executivo municipal acende o alerta para práticas de nepotismo cruzado ou apadrinhamento político, uma vez que Kaio ocupa um cargo na Câmara, mas é parente da prefeita, que possui forte influência no cenário político local.
O caso também remete a episódios recentes da política de Saquarema. Antes de ser eleita prefeita, Lucimar Vidal foi secretária municipal de Educação na gestão de Manoela Peres, investigada em uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil que apurava suspeitas de desvio de recursos públicos no programa educacional “Conexão do Futuro”. A operação incluiu busca e apreensão na prefeitura e ganhou repercussão nacional.
Embora Lucimar não tenha sido formalmente denunciada, sua ligação direta com os investigados — incluindo Manoela Peres e seu marido — e sua posterior ascensão ao cargo máximo da cidade suscitam dúvidas sobre a continuidade de um grupo político que se mantém no poder por meio de alianças e nomeações estratégicas.
Até o momento, a Prefeitura e a Câmara Municipal de Saquarema não se pronunciaram sobre a compatibilidade da dupla vinculação de Kaio ou sobre os critérios adotados para sua nomeação e concessão da bolsa. O espaço segue aberto para esclarecimentos das autoridades envolvidas.
Enquanto isso, moradores, opositores e observadores políticos questionam: será este mais um capítulo da perpetuação de um ciclo político baseado em trocas de favores e vínculos familiares? Em Saquarema, o ditado popular parece ecoar nas conversas de rua: “Trocaram as peças, mas o jogo continua o mesmo.”
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